
Há sorrir, na Mulher-Menina, Linda, que lhe aparece à frente. Os olhos dela brilham, o seu sorriso enfeita-se de sol e brisa. Brinca com as palavras, as mãos e os cabelos, numa irreverência de quem no fundo nunca desistiu. Nunca desistiria. Nem saberia como, quisesse fazê-lo. E ele sorri de volta, enternecido. Como um "adulto" que olha com amor e orgulho para uma criança a quem ajudou no Crescer, e agora constata que esta se tornou tão melhor que ele. Aprende com o humor dela, que não há nuvem que negue o brilho da manhã. Que não há sombra que mais não seja que uma forma de contraste, para a Luz Dourada de um dia a vaguear para um crepúsculo. O Mundo é dela. Em tudo o que cria, há Arte. Em tudo o que ela toca, há Vida e Natureza. E talvez ela nem se aperceba de que o Mundo lhe pertence. Até para se reinventar. Renascer. Em que tudo o que ainda ousa pesar na sua memória, se revele apenas e só como uma crosta que lhe envolveu uma ferida. Mas que agora está pronta a deslizar. A revelar uma pele nova. Intocada. Suave. Aromatizada. Jovem.
Os olhos dela voltam a contemplar os seus. Reluzem. Brilham. E a Alegria de viver dele, brilha-lhe de volta.
(9 de Janeiro de 2009)
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